Em primeira exclusiva como técnico, Guardiola revela segredos do Barça

Técnico abre exceção à Fifa e fala individualmente com jornalista. Influência de Cruyff e importância do meio-campo em seu esquema são destaques do papo

Por GLOBOESPORTE.COM 
 
 
Pep Guardiola durante coletiva do Barcelona (Foto: EFE)
 
 
Pep Guardiola é técnico do Barcelona há três anos e meio. Neste período, jamais concedeu uma entrevista exclusiva. Sua filosofia é a seguinte: se falar individualmente com um jornalista ou meio de comunicação, estará favorecendo alguém. Porém, neste final de ano, ele abriu uma exceção e decidiu falar com o site oficial da Fifa, que não possui ligação com a imprensa.

No papo, ele revela que o holandês Johan Cruyff foi o seu grande mentor. Trabalharam juntos durante seis temporadas e isso trouxe um grande aprendizado. Em outro momento da conversa Guardiola conta como adapta meio-campistas a diferentes posições, caso do volante argentino Javier Mascherano, que costuma atuar na zaga.

Veja os principais trechos da entrevista:


Razão do sucesso
Na verdade, não se trata de nada especial. Em primeiro lugar, o respeito à história deste clube, à trajetória do Barcelona, que é grande em todos os sentidos. Depois, a contratação de bons jogadores e a combinação com uma boa administração das categorias de base para ajudar quem vem de baixo e não ter medo de dar oportunidades no momento certo.

O que fez para obter sucesso tão rápido

Quando cheguei, era um desconhecido para todos. A primeira coisa que pedi dentro do grupo foi confiança, prometendo que as coisas dariam certo e conseguiríamos ir em frente. O principal compromisso com a torcida foi o de que a equipe se esforçaria, correria, jogaria bem e seria motivo de orgulho pelo trabalho mostrado em campo. Afinal, quando vamos ver um espetáculo, não queremos ser enganados. Os torcedores aceitam que se jogue mal, mas odeiam quando um esforço possível não é feito. A partir de então, fomos crescendo como equipe, fizemos mudanças, mexemos em detalhes, mas a ideia é a mesma: atacar, fazer o máximo de gols possíveis e jogar o melhor possível.


Jogadores do Barcelona reconhecem o trabalho realizado pelo técnico Pep Guardiola (Foto: Agência EFE)
guardiola barcelona jogadoras jogam para o alto (Foto: Agência EFE)

Mudanças táticas na temporada
As pessoas falam de tática, mas na realidade a tática são os jogadores. Adaptações são feitas para que as qualidades funcionem melhor para a equipe, mas nada além disso. Quando se fala de tática, é necessário pensar no que o adversário faz e nos jogadores que podem causar problemas. E é claro que o que vem acontecendo nesta temporada tem a ver com a maneira como os rivais nos enfrentam. Com o tempo vamos ficando mais conhecidos, vão criando problemas para nós e é necessário encontrar soluções.

Elenco enxuto
Nunca me preocupei com o fato de ter um plantel enxuto. Tenho confiança absoluta na equipe. Pela minha filosofia, todo problema tem solução. Por isso sempre penso em alternativas para resolver possíveis problemas, seja com os jogadores que temos na equipe de cima ou mesmo com os jovens.

Pep Guardiola comemora classificação do Barcelona (Foto: AFP)                                                                                   Durante os jogos, o técnico deixa a discrição de lado e comemora os gols para valer (Foto: AFP)

Adaptação de meio-campistas a outras posições
O meio de campo é a parte essencial de uma equipe. Os meio-campistas são jogadores inteligentes e que têm de pensar em todo o time. Sabem se sacrificar e são os atletas que precisam compreender mais o jogo. Quanto mais tivermos, mais fácil será fazer a adaptação a outras posições. Com jogadores polivalentes, podemos ter elencos mais enxutos e com mais opções.


Influência de outros técnicos
A influência foi do Cruyff. Estive seis anos com ele, que me deixou grandes conhecimentos. Outro fundamental foi Juan Manuel Lillo. Fui jogador dele somente seis meses em Culiacán, no México, mas nos demos bem e aprendi muito. Ele foi muito generoso e me transmitiu seus conhecimentos.

Fim das concentrações

Ninguém passa um dia trancado em um hotel antes de ir ao trabalho. Queremos que a vida normal seja a mesma: se eles não descansarem, não se cuidarem, vão jogar pior e perder o emprego. Julgo os jogadores pelo trabalho e não pela vida particular. Não sou policial. Às dez da noite estou dormindo e não tenho vontade de controlar os jogadores. Por isso prefiro que estejam em casa com a família e não em um hotel trancados sem nada para fazer. Tentamos utilizar o bom senso. Você queria saber o motivo de resultados tão bons? É o bom senso.

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