OS SENTIDOS DA (na) EDUCAÇÃO DO (no) CORPO

Neste presente trabalho serão expostas experiências para conduzir uma reflexão, tendo como o eixo norteador as vivências infantis e suas relações com o mundo que as rodeiam, através de relatos coletados no ano de 2010, ao ministrar aulas para crianças entre 7 e 8 anos, mais especificamente da turma de 2º ano do ensino fundamental da E.B.M. Padre João Alfredo Rohr, em Florianópolis/SC. Assim surgiu uma proposta de aulas de Educação Física Escolar, tendo estas como tema principal os cinco sentidos dos seres humanos, tratados como responsáveis por serem os canais de comunicação do indivíduo com seu meio externo, extremamente necessários de serem exaltados no processo de ensino, para a formação de alunos “autônomos através do pensar” (sujeitos críticos). Buscou demonstrar que a Educação Física pode e deve contribuir para uma formação mais integral dos educandos, e porque não dizer dos educadores igualmente, superando a ideologia sobre esta disciplina, que a trata apenas como um momento livre na rotina escolar. Desta maneira, para que seja possível entender melhor o processo de formação no qual se está interferindo, é feito um estudo sobre alguns fatores que tendem a influenciar a Educação Escolar, como a colocação do corpo neste meio e suas restrições através de uma Educação Tradicional. As relações humanas entre seus semelhantes e o significado moderno dado ao tempo e a não sensibilidade para a vida norteiam a reflexão.

Palavras chave: Educação Escolar, Educação Física, Cinco sentidos.

Este é o resumo do Trabalho de Conclusão de Curso de Luiz Francisco Sant`Ana Maggi, membro do GECUPOM/FUTEBOL

Sua apresentação acontecerá na quarta feira (06/07) as 9h30min no auditório do CDS-UFSC

Parabéns pela conquista!

O GECUPOM NA SEMANA ACADÊMICA - UFSC

Nesta semana que passou, o centro de desportos da UFSC sediou a XII Semana da Educação Física, e o GECUPOM/FUTEBOL esteve presente em diversos momentos.

Os mini-cursos sobre arbitragem e pedagogia do futsal e futebol marcaram a terça feira, os eventos foram um grande sucesso, com espaço para discussões, problematizações e reflexões sobre as superações dos paradigmas tradicionais de se pensar o esporte.



Em outros momentos, tais como: palestra sobre as transformações do futebol amador de Florianópolis, exposição de banner, e palestras sobre a educação física escolar e possibilidades de intervenções no futebol escolar, o GECUPOM, por meio de seus membros integrantes, mostrou as idéias que o grupo vem semeando em relação a prática de educadores capazes de cumprirem seu papel social pedagógico. 



Queremos agradecer a todos que participaram deste momento de formação e ajudaram a construir novas possibilidades de reflexões sobre o esporte nacional e local. A educação Física necessita de momentos como este, e o GECUPOM/FUTEBOL agradece a oportunidade de mostrar seus estudos, pesquisas e reflexões sobre as possibilidades de se pensar o futebol, seja ele amador, profissional, de aprendizagem, escolar e tantos outros "futebóis" existentes em nosso país.

Entrevista com Paulo Capela

O professor Paulo Capela, membro e coordenador do GECUPOM/FUTEBOL foi solicitado a responder duas questões sobre a Copa do Mundo de Futebol e as Olimpíadas  para uma enquete promovida por Thiago Ansel, um dos coordenadores da Central das Favelas.


São poucas palavras e muito conteúdo. O professor Capela, com grande qualidade, bateu de frente com as contradições existentes nas políticas públicas nacionais, abrindo um leque de discussões/reflexões sobre os caminhos que o olhar esportivo vem direcionando para os próximos anos (2014, 2016).


Abaixo segue as perguntas e respostas:


1)      Do ponto de vista da promoção e garantia do direito ao esporte, no que o legado dos megaeventos pode contribuir? De outro lado, quais são os riscos de a Copa e as Olimpíadas nada deixarem para o desenvolvimento do desporto no país?


Os riscos de que quase nada seja feito no sentido de promover uma maior democratização da base esportiva nacional é eminente, visto que os megaeventos inscrevem-se no quadro das estratégias de expropriação de recursos públicos das nações onde se realizam através de ações orquestradas pelas transnacionais (FIFA e COI), juntamente com as elites esportivas dos países, estes são realizados/organizados por governantes corruptos, a indústria esportiva transnacional e a mídia oficial.
Para que haja ganho para os trabalhadores e seus filhos é necessário que os intelectuais orgânicos e o povo organizem-se para tencionar a melhoria da base de oferecimento esportiva de cunho popular-nacional, esta ação venho orquestrando com outros colegas em diversos fóruns com a denominação de “uma pauta paralela nacional-popular a ser também atendida” pelo poder público durante a Copa e os Jogos Olímpicos.

2) Muito se discute sobre o legado dos jogos Pan-americanos. Alguns chegam mesmo a falar em um não-legado do Pan em referência a pouca quantidade de melhorias que o evento deixou. Há como acontecer o mesmo, no caso da Copa e das Olimpí­adas?

Os megaeventos são estratégias criadas nos EUA para promover a competitividade e o desenvolvimento de regiões acionais em tempos de escassez de recursos do Estado, portanto não tem nada haver com legados esportivos, é eminentemente negócio e lucro para os de sempre, inclusive em várias localidades dos EUA após a realização dos eventos as construções físicas são destruídas, ficando apenas os danos e a destruição das construções culturais esportivas próprias locais, inclusive com muitos desalojamentos de populações empobrecidas das áreas onde são construídos os equipamentos dos jogos, que, posteriormente são vendidos por altos valores, cujos ganhos são divididos entre empresários, alguns ex-atletas, políticos e construtoras, ficando para as populações removidas, a tristeza e mais pobreza como legado. Portanto os mega-eventos esportivos são o desenvolvimento do subdesenvolvimento esportivo em nosso país, ou seja, mais do mesmo, os de sempre se beneficiarão.   



O GECUPOM NA SEMANA ACADÊMICA - UFSC

Na XIII Semana de Educação Física da UFSC, que acontecerá entre 6 e 10 de junho de 2011, o GECUPOM/FUTEBOL estará presente em alguns importantes momentos:


MINICURSOS (07/06/11):

Título: A formação do árbitro de futebol para atuar no campo das emoções
Ministrantes: Marco Antônio Martins Lopes
Descrição: O minicurso tem como objetivo propiciar reflexões sobre aspectos inerentes ao árbitro de futebol. Dando ênfase na sua formação inicial e preparação para exercer sua função dentro do campo de jogo. Assim, desmistifica-se o fardo deste profissional tão importante em nossa cultura e os conceitos prontos determinados por olhares críticos.
A metodologia será referente a uma explanação sobre os seguintes tópicos: História do futebol; Surgimento do árbitro; Função/Deveres; Aspectos técnicos: Regras do jogo; Aspectos táticos; Aspectos psicológicos; Aspectos físicos; Temas relacionados; Curiosidades. Após a abordagem do último assunto será aplicada uma aula prática sobre a construção de três pilares: Técnico, físico e psicológico. Desta forma, os participantes irão desenvolver as formas do pensar, refletir e do agir de um Árbitro de futebol, se inserindo de fato num contexto impróprio do “errar humano”.
Área de concentração: Esporte, Cultura e Sociedade
Carga-horária: 4h
Período: Manhã
Número de vagas: 5 (mínimo); 15 (máximo)
Local: Sala 70 (Piscina do CDS) e Ginásio 1

Título: Teoria e prática de ensino, aprendizagem e treinamento no futebol e futsal
Ministrantes: Lucas Barreto Klein, Júlio César Couto de Souza
Descrição: Proporcionar aos participantes, noções de teoria e prática, de diferentes processos pedagógicos de ensino, aprendizagem e treinamento de futebol e futsal. Os conteúdos temáticos serão: introdução a pedagogia dos esportes; as atuais tendências pedagógicas de ensino dos jogos coletivos (futebol e futsal); a prática de unidades temáticas/funcionais por meio de pequenos e grandes jogos. O curso será ministrado a partir de abordagens teórico/práticas, leitura de textos, dinâmicas de grupo e avaliação coletiva do processo.
Área de concentração: Teoria e Prática Pedagógica em Educação Física
Carga-horária: 4h
Período: Tarde
Número de vagas: 10 (mínimo); 25 (máximo)
Local: Sala 71 (Piscina CDS) e Ginásio 3

APRESENTAÇÃO ORAL (10/06/11):
- EM TEMPOS DE COPA DO MUNDO: APARTHEID E FUTEBOL COMO CONTEÚDOS TEMÁTICOS NA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR.
- O FUTEBOL AMADOR DE FLORIANÓPOLIS: UMA APROXIMAÇÃO INVESTIGATIVA

APRESENTAÇÃO DE PÔSTER (10/06/11):
- FUTSAL: REFLEXÕES DIDÁTICO-PEDAGÓGICAS SOBRE O PROCESSO DE ENSINO EM CATEGORIAS DE BASE

PROPOSTA DE INTERVENÇÃO EM AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR ATRAVÉS DE UMA PRÁXIS, SENDO ESTA ORIENTADA PELOS 5 SENTIDOS.

Para mais informações acesse: http://xiisemanadeeducacaofisica.blogspot.com/

Vem aí...







XII Semana de Educação Física CDS/UFSC

"DA FORMAÇÃO INICIAL À INTERVENÇÃO PROFISSIONAL"

 - de 6 a 10 de Junho de 2011

 - Centro de Desportos da UFSC

Notícias do RS

'O Banrisul pode alavancar o futebol do interior', diz Lindenmeyer

04/05/2011
Segue a luta do deputado Alexandre Lindenmeyer (PT) pela definição de critérios por parte do Banrisul na distribuição de patrocínios para os clubes que disputam a Segundona Gaúcha. Nas últimas semanas, o parlamentar apresentou o programa “Jogo Aberto” ao Gerente de Recursos Terceiros do banco, Julimar Machado, ao secretário de Esporte e Lazer do Estado, Kalil Sehbe, e ao presidente da Assembleia Legislativa, Adão Villaverde (PT) que avaliaram positivamente a proposição.

O Gerente de Recursos Terceiros do Banrisul, Julimar Machado, relatou que a direção atual do banco não concorda com a política de patrocínios da gestão anterior e que haverá mudanças nos próximos anos. Julimar recebeu o programa “Jogo Aberto” de Alexandre, proposta que classificou como “muito rica e que contribuirá bastante para a implantação de novas políticas de patrocínio para o futebol gaúcho”.

Alexandre defendeu a possibilidade do banco investir um pouco mais no interior do Estado. “Não concordo com o investimento polarizado.  Quando nos referimos a Segundona Gaúcha, estamos falando de 24 municípios, muitos destes com uma história muito atrelada ao futebol. O Banrisul pode alavancar o futebol do interior.”, afirma o deputado que se coloca à disposição da instituição para a construção deste processo.

Na oportunidade, o parlamentar apresentou os projetos ‘Você pode ser um campeão do vôlei’ e ‘Campeões Olímpicos e Campeões da vida” ao gerente. Os projetos pretendem promover a inclusão social de cerca de 600 crianças e adolescentes e 100 portadores de necessidades especiais. Julimar, se mostrou sensibilizado com a proposta e prometeu uma nova conversa sobre os projetos associados a Fundação Sócio Cultural Esportiva do Rio Grande (Funserg).

Segundo o deputado, uma conversa com o presidente da Federação Gaúcha de Futebol (FGF) seguida de uma apresentação da proposta para os presidentes dos clubes que participam do campeonato será a próxima investida deste projeto que promete fortalecer o futebol gaúcho como um todo.

RELATOS DO FUTEBOL AMADOR DA CIDADE DE FLORIPA

Estamos em fase de coleta de dados para subsidiar um dos membros

do GECUPOM/FUTEBOL, cujo o seu TCC irá abordar entre tantas relações, o

futebol amador que é jogado hoje na nossa cidade, sendo uma das perguntas

norteadoras : É paixão ou negócio? Além é claro de pesquisas individuais do

tema, entre eles a minha (Guilherme) onde tentarei mostrar aos leitores as

relações existentes entre a comunidade e o clube amador nela inserido.



Então, buscamos nos 27 clubes amadores que disputam o campeonato

da Liga Florianopolitana de Futebol, nas suas três divisões, uma série de dados

e reflexões em entrevistas realizadas com presidentes, diretores, sócios ou

meros torcedores e conhecedores do clube de suas comunidades.



Tive o privilégio de poder realizar a minha coleta de dados em clubes

tradicionais da cidade e que dois deles pertencem ao meu bairro, são eles:

Associação Recreativa Cultural e Esportiva Bangu, Associação Canto do Rio

Futebol Clube e Bandeirante Recreativo Futebol Clube, do qual neste último

tenho a oportunidade de conviver desde o meu nascimento até os dias de hoje,

tornando além de um torcedor, um apaixonado pelo clube.



Consegui entrevistar, um fundador, diretor e colaborador dos clubes,

onde tivemos um longo bate-papo sobre a história dos mesmos além é claro

de toda a relação do clube com o futebol. Muitas idéias foram apresentadas

pelos entrevistados, apesar das diferentes histórias e contribuições , todos

levantaram a idéia de que antigamente os jogadores destes clubes pertenciam

quase que em sua totalidade a moradores próximos ao clube, onde os jogos

era uma verdadeira festa na comunidade. Todos os moradores conheciam

os “atletas dos clubes” além de suas famílias e local em que moravam.



Para tristeza de todos, quando perguntado “o que você acha que vem

mudando a forma de existir o futebol amador na sua comunidade” praticamente

todos responderam da mesma maneira, onde segundo um dos entrevistados

“ o futebol amador de hoje está muito mudado , os jogadores não têm vínculo

algum com o clube e com o bairro, onde os atletas só querem saber apenas

deles mesmos, se preocupando apenas com o dinheiro que irão receber

após o jogo... Hoje o campeonato amador da cidade é totalmente sem graça

não motiva a comunidade. E também é uma pena que os jovens de hoje não

tem interesse em ajudar a administrar o clube, pois o mesmo é uma tarefa

voluntária”.



Essa questão do pagamento do jogador após as partidas, foram

bastante citados pelos entrevistados, onde com toda a falta de conhecimento

de alguns deles em diversas temáticas, foram enfáticos ao falar que o futebol



deixa de ser amador a partir do momento em que os jogadores recebem

para jogar no clube. Fiquei muito feliz com essa colocação, pois sem ao

menos eu levantar esta questão, nossos colaboradores logo colocaram com

muita convicção esta idéia, onde todos fizeram questão de afirmar que todos

estes recursos deveriam ser utilizados em projetos sociais realizados pelos

clubes, como por exemplo, as escolinhas de futebol onde serão formados os

futuros “jogadores” dos clubes e cidadãos, os grupos de idosos, cursos além

das estruturas dos clubes.



Penso que tivemos durante esta atividade verdadeiras lições

de história, cultura e paixões. Também percebemos certo tom de tristeza

presentes em falas que relatam os tempos que dificilmente voltarão do futebol

amador da cidade, principalmente de toda a sua descaracterização, como

resultado dos pagamentos de jogadores que não fazem questão alguma de

conhecer o bairro que o clube está inserido, além de toda a sua cultura e

história, tirando assim todo o brilho do esporte. O que os deixa felizes é, saber

que muitas crianças participam das escolinhas oferecidas gratuitamente pelos

clubes ( sendo que um deles possui 300 crianças em sua escolinha), além

dos times de veteranos e projetos realizados em suas estruturas. É uma pena

que nossos governantes e empresários não olham para os clubes amadores

da nossa cidade que desempenham algum tipo de papel social para nossas

crianças, jovens, adultos e idosos, investindo assim na formação de um ser

humano.

A MISÉRIA DO ESPORTE - PARTE 1

Por Elaine Tavares - jornalista


Já está nas livrarias de todo o país – editado pela editora catarinense Insular - um livro que promete mexer com toda a estrutura do esporte em Santa Catarina e no Brasil. É o trabalho “A Miséria do Esporte: reflexões sobre as políticas públicas em Santa Catarina”, de autoria do professor da UNOESC e mestre em Sociologia Política pela UFSC, Nilso Ouriques. No livro, Ouriques recupera, de maneira inédita, a história do esporte no estado, desde os tempos do chamado amadorismo até a profissionalização gradual que foi se gestando a partir das políticas públicas. O autor mostra, por exemplo, com absoluta claridade, como um dos maiores eventos do esporte amador de Santa Catarina, os JASC, está eivado do que ele chama de “profissionalismo marrom”. A politicagem, os desacertos, as arrumações e as equivocadas políticas públicas vão sendo desveladas, formando um quadro bastante sombrio do esporte em Santa Catarina. A obra, absolutamente eficaz no seu panorama totalizante, certamente pode servir para a reflexão do tema nos demais estados da federação, uma vez que as realidades são muito parecidas.

No texto que abre o livro, Nilso Ouriques mostra como o esporte em Santa Catarina passa de um amadorismo elitista para o chamado profissionalismo, e como depois esse profissionalismo vai se misturando ao esporte amador, a ponto de algumas prefeituras lançarem mão de atletas de fora dos municípios, com pagamento de altas quantias em dinheiro, para a disputa dos “amadores” Jogos Abertos, tornando a competição quase uma fraude. Expõe ainda, como, no transcurso da história, o esporte vai saindo da órbita do prazer e da saúde para outra, bem diferente, de competição, alto rendimento e derrocada física, elementos típicos do capitalismo. Ainda no âmbito da história, Ouriques traça a caminhada do esporte no seu processo de institucionalização, quando o estado passa a lançar mão desta atividade para, inclusive, fazer uso político do setor, chegando a ser o que é hoje: espetáculo, evento, e nada mais.

A Miséria do Esporte revela também a trajetória da própria FIFA (Federação Internacional das Associações de Futebol), que antes de 1974, quando então assume João Havelange, não passava de uma pequena instituição européia, e que, com a proposta de estabelecer parceria com a grande empresa Adidas, começa um caminho sem volta de comercialização do esporte, hoje elevado a última potência. É uma espécie de nova ética comercial que transforma, no caso, o futebol, em uma mercadoria altamente rentável. Esta idéia de unir o capital com o esporte é a que leva o setor para o caminho dos grandes espetáculos, nos quais, praticamente o que menos importa é o esporte em si. O que está em jogo, realmente, são as múltiplas vendas que podem ser feitas desde esta fatia mercadológica. A FIFA e outras instituições esportivas, tal como o Comitê Olímpico, transformam-se assim em multinacionais do esporte, com todas as misérias que daí decorrem.

Essa nova ética comercial inaugurada pela FIFA vai criando seus tentáculos em todo o planeta, e Santa Catarina não fica de fora. Daí o grande mérito do trabalho de Nilso Ouriques, que faz parte da Rede Brasileira de Estudos Latino-Americanos (REBELA), coordenada pelo Instituto de Estudos Latino-Americanos, da UFSC. Ele consegue, nesta obra, traçar o caminho que o esporte local vai fazendo, desde as propostas amadoras até a sua transformação em mercadoria de alta renda, a ponto de as políticas públicas atuarem na construção de um calendário de eventos, capaz de se manter em atividade o ano inteiro, nos mais de 200 municípios, expondo os atletas a uma lógica de estresse e competição. A ação das Comissões Municipais de Esporte, dos Departamentos Municipais de Esporte e das Fundações Municipais de Esporte vão sendo desveladas e ao final do livro o leitor consegue ter uma visão global de todo o processo, compreendendo quais são as forças que atuam no esporte catarinense e os problemas causados aos atletas e ao próprio conceito de esporte, na medida em que tudo é colocado sob a ótica do comércio, inclusive os seres humanos. “O esporte – diz Nilso – no meio municipal é autoritário, centralizado e profundamente viciado”.